Duas Páscoas — Duas Eras de Redenção

“E o SENHOR [Jeová] falou a Moisés, no deserto do Sinai, no primeiro mês do segundo ano, depois que eles haviam saído da terra do Egito, dizendo: ‘Que os filhos de Israel também celebrem a Páscoa a seu tempo determinado. No décimo quarto dia deste mês, à tarde, a seu tempo determinado a celebrareis.’ — Números 9:1-3

ESSE RELATO em Números refere-se à segunda Páscoa que Israel observaria. A primeira ocorreu no tempo do Êxodo, e essa segunda, um ano depois. Lembre-se de que em Êxodo 12, quando a Páscoa foi instituída, o versículo 14 diz: “Fareis dele uma festa… por todas as vossas gerações.” Portanto, era para ser uma observância anual.

Assim, nessa segunda ocasião, “Celebraram a páscoa, no décimo quarto dia, do primeiro mês, à tarde, no deserto do Sinai; conforme… o SENHOR [Jeová] ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.” — Números 9:5

No entanto, surgiu um problema: “Havia alguns que estavam contaminados, pelo corpo de um homem morto, e não podiam celebrar a Páscoa naquele dia; e vieram diante de Moisés, e diante de Arão, naquele dia. E esses homens disseram-lhe: ‘Estamos contaminados, pelo corpo de um homem morto; por que somos impedidos de oferecer uma oferta ao SENHOR [Jeová], no seu tempo determinado?’” — Números 9:6-7

Nefesh

Um ponto interessante nesse texto é que a palavra “corpo” nos versículos 6 e 7 é a palavra nefesh, que é o termo comum para “alma” no Antigo Testamento. Seria útil que fosse traduzida como “alma”, para que o leitor percebesse claramente que as almas morrem. A Bíblia Smith’s Literal Translation faz isso, dizendo “contaminados pela alma de um homem”, assim como a Bíblia Douay-Rheims. Infelizmente, essas são as únicas duas versões que traduzem assim, entre as muitas listadas no Bible Hub. A RVIC (editada pelos Estudantes da Bíblia) também esclarece o termo com duas notas de rodapé, indicando “alma… nefesh, alma”.

É útil lembrar esses casos, pois confirmam que as almas morrem. Eles se somam ao conhecido texto de Ezequiel 18:4: “A alma que pecar, essa morrerá.”

O que fazer?

Os homens que haviam sido contaminados pelo contato com um morto pediram a Moisés uma solução para o problema. “E Moisés lhes disse: ‘Esperai, e ouvirei o que o SENHOR [Jeová] ordenará a vosso respeito.’” (Números 9:8) A resposta de Deus vem nos versículos 9 em diante. A solução foi que os impuros aguardassem até o mês seguinte: “No décimo quarto dia, no segundo mês, à tarde, a celebrarão, e a comerão com pães ázimos e ervas amargas.” — Versículo 11

O versículo 12 acrescenta: “não lhe quebrarão nenhum osso”, uma determinação também expressa em Êxodo 12:46 para a observância normal da Páscoa. Essa provisão tem significado em relação a Jesus. Ele também não teve nenhum osso quebrado, embora tenha sofrido de tantas outras formas em sua morte. Os ossos representam as esperanças para o futuro, como, por exemplo, o vale de ossos secos em Ezequiel 37. No caso de Jesus, apesar da brutalidade que sofreu, nenhuma de suas perspectivas futuras foi minimamente prejudicada. O relato do apóstolo João sobre a crucificação registra que Jesus morreu antes do fim do dia, de modo que os soldados não precisaram quebrar suas pernas para apressar sua morte. João 19:36 diz: “Porque estas coisas foram feitas, para que a escritura pudesse se cumprir: ‘Nenhum osso seu será quebrado.’” A referência cruzada inclui Êxodo 12:46 e Números 9:12, os dois textos mencionados acima.

A primeira Páscoa na Era Evangélica

A resposta

Assim, a resposta que Deus deu a Moisés foi que os impuros observassem a Páscoa um mês depois. Isso sugere, profeticamente, que a humanidade, contaminada pelo pecado deste mundo, terá uma segunda oportunidade para a purificação de seus pecados. Isso ocorrerá no Reino Milenar de Cristo, quando a humanidade participará coletivamente.

Observe que a resposta de Deus não foi que eles poderiam ignorar a ocasião. Da mesma forma, a humanidade não pode evitar receber o mérito do sacrifício de Jesus. Todos precisam receber a oferta de resgate de Jesus, seja nesta era, seja no vindouro Reino.

O dia permaneceria o mesmo em ambos os casos, ou seja, o dia 14. O 14º dia de um mês lunar, quando o cordeiro era imolado (passando para o 15º dia após o pôr do sol, quando era consumido), é o tempo da lua cheia. Quando Jesus morreu na cruz do Calvário, naquela noite, quando a lua surgiu, era lua cheia. Como a lua é um reflexo da luz do sol, os irmãos frequentemente consideram a lua um símbolo de Israel e suas leis, um reflexo da maior verdade do Evangelho que seguiu a Era Judaica.

A lua cheia no momento da morte de Jesus representa que Israel, tendo o Messias presente, estava no auge de seu favor. Quando a nação rejeitou seu Salvador, seu favor começou a minguar, assim como a lua cheia começou a diminuir. Os primeiros cristãos ainda eram de Israel, mas posteriormente os gentios começaram a entrar, começando com Cornélio e sua família e associados. Por fim, os gentios se tornariam a maioria da classe da Noiva. Israel perdeu suas oportunidades, representadas pelo minguar da lua após a crucificação.

Hoje, Israel está sendo restaurado ao favor. Eles ainda não têm o sopro da fé. Isso virá quando os Antigos Dignos forem ressuscitados e apontarem Israel para o Messias deles. (Miqueias 5:5, 6; Zacarias 12:9, 10) Então, suas bênçãos aumentarão progressivamente até uma nova “lua cheia”. Israel exercerá fé no Messias e celebrará a Páscoa. O restante do mundo gradualmente compreenderá as bênçãos disponíveis e também se voltará para Cristo como seu redentor.

Assim, aqueles que estavam impuros e foram instruídos a observar a Páscoa na lua cheia seguinte prefiguram adequadamente o mundo exercendo com gratidão fé em Cristo, quando o favor de Israel florescer novamente.”

Clique na imagem para baixar essa publicação.